Coxinha de ostra exótica: conheça salgado que escondia pérola no litoral de SP
Coxinha de ostra exótica: conheça salgado que escondia pérola no litoral de SP Divulgação e Carina Lisboa Uma coxinha de ostra exótica defumada com queijo...
Coxinha de ostra exótica: conheça salgado que escondia pérola no litoral de SP Divulgação e Carina Lisboa Uma coxinha de ostra exótica defumada com queijo e catupiry ganhou um ingrediente inesperado em Cananéia, no litoral de São Paulo. O salgado, que por si só já foge do comum, ainda escondia uma "joia": uma pequena esfera que especialistas apontaram como uma pérola. O achado foi feito pela personal trainer Carina Lisboa, de 41 anos, enquanto comia a coxinha. A coxinha é preparada pelo restaurante Ponto das Ostras há cerca de 19 anos e teve a receita adaptada para o 1º Festival GastroMangue. Originalmente feita com a ostra nativa de Cananéia, ela ganhou uma versão com a Saccostrea cucullata, espécie originária da Ásia e considerada invasora. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O festival propôs que restaurantes criassem ou adaptassem receitas com a ostra exótica como forma de transformar um problema ambiental em possibilidade gastronômica. A espécie tem se espalhado pela região e disputa espaço com ostras nativas. No caso de Carina, porém, o prato ainda reservava outra surpresa: ela só percebeu a pérola depois de morder a coxinha e sentir algo duro na boca. O que é a coxinha de ostra Segundo a proprietária do restaurante, Paula Monteiro, a receita surgiu durante uma Festa do Mar, quando o estabelecimento desenvolveu diferentes preparos à base do molusco. Originalmente, o salgado era feito com a ostra nativa de Cananéia. Para o GastroMangue, porém, o restaurante passou a usar a espécie exótica Saccostrea cucullata, fornecida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) dentro da proposta do festival. Pérola foi encontrada em um prato servido em um restaurante de Cananéia Arquivo Pessoal O recheio leva a ostra exótica cozida, catupiry e muçarela. De acordo com Paula, a espécie tem sabor mais marcante que a ostra nativa e ganha ainda mais intensidade quando é cozida. "A gente usava a nossa ostra nativa, que é mais delicada. Para esse preparo com a ostra exótica, eu achei interessante porque ela tem um sabor mais marcante e, quando cozida, dá um toque diferente ao recheio", explicou. Segundo a proprietária, a receita caiu no gosto dos clientes e atrai pessoas que não têm o hábito de comer ostras. Atualmente, cada coxinha custa R$ 10. As ostras exóticas usadas no festival não são criadas em cativeiro. Segundo Paula, elas já estão presentes no ambiente natural de Cananéia e foram fornecidas pela Unesp para os pratos desenvolvidos no GastroMangue. Ostra invasora e comestível vinda da Ásia é retirada de manguezais em Cananéia, SP Divulgação/Unesp e Rinaldo Rori/TV Tribuna Surpresa para família que trabalha com ostras Paula contou que encontrar uma pérola em uma das coxinhas surpreendeu até a família, que trabalha há décadas com ostras. O pai dela atua com o molusco desde os 13 anos e, segundo a empresária, nunca havia encontrado uma pérola. "Foi uma surpresa e também um susto. Meu pai trabalha com ostra desde os 13 anos e nunca tinha visto uma pérola. Então, para a gente, foi algo realmente inesperado. Ninguém imaginava que isso pudesse acontecer justamente no restaurante", afirmou. A proprietária disse que o episódio acabou se tornando uma história especial para o estabelecimento. Quanto vale a pérola? A pérola encontrada por Carina talvez nem ultrapasse os R$ 50, segundo o biólogo Ricardo Samelo, ouvido pelo g1. Para ele, porém, a raridade das circunstâncias do achado chama mais atenção do que o possível valor da peça. A esfera não passou por avaliação gemológica, mas profissionais ouvidos pela reportagem apontaram, a partir das imagens, indícios de que seja uma pérola irregular ainda em formação. Para determinar o valor de um exemplar, são considerados critérios como tamanho, formato, cor e lustre. Quanto vale a pérola encontrada por mulher ao comer salgado Samelo explicou que a esfera apresenta características de uma pérola barroca, nome dado às de formato irregular. "As pérolas irregulares são chamadas de pérolas barrocas e não costumam ser caras. Uma única pérola talvez nem ultrapasse R$ 50", afirmou. Para o biólogo, o inusitado do episódio é mais relevante que o valor: "Encontrar uma pérola enquanto se alimenta de uma ostra é algo inusitado [...]. Não se trata de valor, e sim de uma história para contar", afirmou. Tampinha, a ostra invasora Ostra invasora e comestível vinda da Ásia é retirada de manguezais após ameaçar espécies em SP. Conhecida como "tampinha", a espécie disputa espaço com ostras nativas em Cananéia e preocupa especialistas pelos impactos ambientais, econômicos e sociais. Ostra invasora e comestível vinda da Ásia é retirada de manguezais de SP VÍDEOS: Tudo sobre Santos e Região