Eleições 2026: número de eleitores com mais de 70 anos cresce 46% no Alto Tietê

Número de eleitores com 70 anos ou mais cresce 46% no Alto Tietê Paulo Pinto/Agência Brasil O número de eleitores com 70 anos ou mais do Alto Tietê aumento...

Eleições 2026: número de eleitores com mais de 70 anos cresce 46% no Alto Tietê
Eleições 2026: número de eleitores com mais de 70 anos cresce 46% no Alto Tietê (Foto: Reprodução)

Número de eleitores com 70 anos ou mais cresce 46% no Alto Tietê Paulo Pinto/Agência Brasil O número de eleitores com 70 anos ou mais do Alto Tietê aumentou 46,8% nos últimos 8 anos. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ➡️ O levantamento do g1 compara o perfil do eleitorado nas eleições gerais de 2018, 2022 e 2026. Os números mostram uma mudança na composição do eleitorado: enquanto os eleitores mais jovens diminuem, as faixas etárias mais velhas ganharam espaço. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Em 2018, o Alto Tietê tinha cerca de 70 mil eleitores com 70 anos ou mais. Em 2026, esse número chegou a um pouco mais de 108 mil, um crescimento de aproximadamente 53%. Confira: Os dados do TSE mostram que todas as faixas etárias com 45 anos ou mais seguiram esse padrão. Esses aumentos graduais apontam cada vez mais uma mudança do perfil do eleitor da região. Entre 2022 e 2026, o número de eleitores com 45 anos ou mais passou de 470.614 para 580.508, um aumento de 23%. LEIA MAIS Eleições 2026: Alto Tietê têm mais de 1,2 milhão de eleitores aptos a votar; confira Veja quem são os candidatos do Alto Tietê nas Eleições 2026 Segundo o Caio Barbosa, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, essa mudança, na prática, indica que a região se encaminha para uma transformação na estrutura da representação política. "Quando a composição etária do eleitorado muda, muda também a distribuição de interesses que candidatos e partidos precisam considerar. Isso pode afetar tanto as políticas públicas quanto a linguagem utilizada nas campanhas" explica. Mudança de foco De acordo com o especialista, uma população eleitoral mais velha pode conferir maior peso a questões como aposentadoria, saúde, acesso a medicamentos, segurança, custo de vida e estabilidade econômica. Para a professora de Língua Portuguesa Maria da Graça Siqueira, de 73 anos, é importante não deixar as promessas dos candidatos enganarem o eleitor. "Prefiro votar em quem se preocupa com os mais necessitados e com as minorias. Mas, não me deixo levar por falas bonitas e não confiáveis. Muitos brasileiros acreditam em falsas promessas, eu, porém, analiso muito durante o mandato deles antes do pleito" contou ao g1. Maria da Graça tem 73 e não deixa de votar Foto 1: Arquivo pessoal/Maria da Graça - Foto 2: Antônio Augusto/Ascom/TSE Ela explica que votar é importante, em qualquer idade. "Votei em todas as eleições e não deixarei de estar presente diante da urna eletrônica para cumprir com minha obrigação de cidadã mais uma vez. Votar é muito importante, mas mais ainda é ter consciência de que o nosso voto pode mudar os rumos do País. É a grande festa da democracia, é imperdível." Apesar disso, de acordo com Caio Barbosa, outro possível efeito é o aumento na abstenção, já que o voto não é mais obrigatório a partir dos 70 anos. Ele indica que "não há uma relação automática entre idade e comportamento político, eleitores mais velhos não formam um bloco homogêneo". Para Gilce Maria Moreira, de 74 anos, votar é sinonimo de ser cidadã. "Enquanto eu estiver em sã consciência, estarei votando, seja obrigatório ou não. Reconheço que tenho a isenção pela idade, mas escolho votar porque a mudança começa pelo eleitor." Gilce Maria votar é sinônimo de ser cidadã Foto 1: Arquivo pessoal / Gilce - Foto 2: Fernando Frazão/Agência Brasil "Nós, como mais velhos, ajudamos a construir esta nação, então temos todo o direito de participar. Por isso, enquanto eu puder, continuarei participando de todas as eleições do país" contou. Grupos mais novos Na outra ponta, as faixas etárias mais novas registram um padrão de queda no número de eleitores entre as eleições presidênciais. Nesses oito anos, houve uma baixa de 18,7% no número de eleitores com 18 a 24 anos. Antes, o grupo representava cerca de 15% do eleitorado da região. Em 2026, essa faixa etária corresponde a 11,68% do total. Segundo o doutor em Ciência Política Caio Barbosa, essas mudanças podem criar uma tensão entre os novos eleitores e os políticos, principalmente em um cenário de uma sociedade polarizada. "Os mais jovens, que serão responsáveis por sustentar economicamente boa parte das estruturas sociais no futuro, podem ter menos capacidade de influenciar as decisões que definirão esse futuro" explica. Questões como educação, mercado de trabalho, habitação, mudanças tecnológicas e meio ambiente têm efeitos particularmente importantes sobre as gerações mais novas. Segundo ele, a partir disso surgem novos desafios para os candidatos. "O desafio é como construir uma representação política em que o aumento da longevidade não faça com que as necessidades das novas gerações se tornem menos visíveis" indicou. VEJA TAMBÉM Alto Tietê tem mais de 1,2 milhão de eleitores nas eleições de 2026 A preocupação com a representatividade e com o futuro também é importante para quem está começando a votar. Para a auxiliar administrativa Mariana Mendes, de 19 anos, a mudança no perfil do eleitorado reforça a responsabilidade na hora de votar, já que as decisões políticas afetam diretamente o futuro das próximas gerações. "Não é justo a gente sofrer as consequências de decisões sem participar. Por isso é muito importante o voto consciente. A política está viva e impacta diretamente a nossa realidade, dos nossos filhos e irmãos. Na hora de escolher um candidato, é preciso analisar se ele realmente tem a intenção de defender aquilo em que acreditamos", conta. Mariana Mendes tem 19 anos e votou nas eleições municipais de 2024 Mariana Mendes/Arquivo Pessoal Para a jovem, embora temas como saúde e aposentadoria ganhem mais espaço com o envelhecimento da população, eles não devem anular as discussões voltadas aos mais jovens, porque são pautas que se conectam ao longo do tempo. "Não acho que temas como aposentadoria e saúde vão abafar as pautas da juventude. Mesmo que um tópico fique mais em evidência, são assuntos que, a longo prazo, dirão respeito à nossa geração também. É preciso ter um equilíbrio, além de olhar atento para problemas atuais, como o uso excessivo de Inteligência Artificial, fake news e direitos trabalhistas." Além disso, ela explica que ver candidatos mais jovens também não seria uma solução tão imediata. Para ela, mais do que a idade do candidato, o que define a escolha é o alinhamento de ideias e propostas. "Se for uma pessoa mais velha que defende as mesmas coisas que eu acredito, é mais viável do que alguém da minha idade que vai contra tudo o que defendo. Nesses casos, não me sentiria representada pela pessoa jovem, embora entenda a importância da minha geração ocupar esses espaços", afirma. Assista a mais notícias sobre o Alto Tietê